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Projeto
de transformação de lixo em energia
pode ser estendido a todo o país
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Fonte/Agência
Brasil
Pesquisadores da Coordenação de Programas
de Pós-Graduação de Engenharia
(Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ) querem aumentar a eficiência energética
da Usina Verde, que funciona desde 2004 na Ilha do
Fundão, na zona norte da cidade. O objetivo
é ampliar a capacidade de produção
de energia da usina.
O projeto, da iniciativa privada, teve a parte de
tecnologia aprimorada pela Coppe e trabalha com a
incineração de lixo urbano, destruindo
os gases causadores de efeito estufa na atmosfera,
além de transformar em energia quase todos
os resíduos sólidos recebidos. O pesquisador
Luciano Basto, do Instituto Virtual Internacional
de Mudanças Globais (IVIG) da Coppe, coordenador
do projeto Usina Verde, disse à Agência
Brasil que a ideia é “tentar aumentar
a escala e ajudar que se torne uma realidade no Brasil”.
Ele informou que a Usina Verde já faz isso
em pequena escala. O sistema, porém, está
capacitado para gerar o dobro de energia atual que
é usada para autoconsumo. Com as 30 toneladas
de lixo tratado que recebe por dia, provenientes do
aterro sanitário da Companhia de Limpeza Urbana
(Comlurb) no Caju, a Usina Verde tem potência
de 440 quilowatts (kW). Se funcionasse em tempo integral,
isso representaria cerca de 3.500 megawatts/hora (MWh)
por ano, o que seria suficiente para abastecer 1.500
residências.
Luciano Basto salientou que esse é um projeto
piloto. Uma unidade comercial teria cinco vezes esse
tamanho. Estimou que para 150 toneladas/dia de resíduos
sólidos, poderia ser gerada energia suficiente
para abastecer 8 mil residências.
Segundo o pesquisador, a ideia do grupo privado que
administra a usina é desenvolver tecnologia
para ser comercializada. A Coppe auxilia no processo.
Esse tipo de unidade trabalha com três receitas:
tratamento de lixo, comercialização
de energia elétrica e térmica e créditos
de carbono.
Nos últimos seis meses, a Usina Verde passou
por uma auditoria do Bureau Veritas, escritório
internacional de certificação, para
se habilitar a receber créditos de carbono,
isto é, bônus negociáveis em troca
da não poluição do meio ambiente.
Basto informou que durante esse período, a
usina comprovou a redução de 2 mil toneladas
de emissões de gás carbônico das
30 toneladas de lixo recebidas por dia. Isso dá
uma média de meia tonelada de gás carbônico
por tonelada de lixo tratado.
“Significa dizer que qualquer usina que venha
a ser instalada pode pleitear créditos [de
carbono]”. Basto lembrou que o prefeito do Rio,
Eduardo Paes, definiu metas para redução
das emissões na cidade, destacando transporte
e lixo como áreas importantes de trabalho com
essa finalidade. “Tratar o lixo, gerando eletricidade
é uma forma de resolver três fontes de
mitigação. Uma delas é o lixo.
A outra é a queima de combustíveis fósseis
para gerar eletricidade e a terceira é o diesel
que se consome para transportar o lixo até
os aterros”.
A Coppe presta assessoramento técnico a qualquer
grupo privado que queira implementar usinas para incineração
de lixo e transformação em energia,
utilizando tecnologia limpa. O pesquisador destacou
que existem mais de mil usinas desse tipo funcionando
em todo o mundo. “Para se ter uma ideia, a geração
elétrica a partir do lixo, em 2006, foi equivalente
ao consumo de eletricidade pelo setor residencial
brasileiro em 2007”.
Naquele ano, o consumo das famílias no Brasil
atingiu 90 milhões de MWh. Basto explicou que
a energia gerada a partir do lixo representa entre
3% e 4% das matrizes nacionais. “Mas todo o
lixo que foi utilizado para gerar eletricidade no
mundo em 2006 equivaleu ao que as residências
brasileiras consumiram em 2007, o que é algo
significativo”.
Luciano Basto espera que até o terceiro trimestre
de 2010, o Centro Tecnológico da Coppe conclua
o sistema de aumento de eficiência da Usina
Verde, visando ao melhor aproveitamento do calor gerado,
com menos investimentos. “Dispor de muito mais
eletricidade. Então, passa a haver mais receita”,
afirmou.
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